O Google registrou uma patente chamada “Ranking Search Results” há mais de dez anos, que detalha o uso de consultas de busca de marcas como um fator para ordenar resultados de pesquisa. Na época, essa patente foi amplamente mal interpretada pela comunidade de SEO, o que fez com que sua relevância fosse pouco considerada. Atualmente, é possível que os conceitos dessa patente sejam usados como um fator externo no rankeamento.
Entendendo a Patente de Ranking de Resultados
Essa patente apresenta um método para reordenar páginas da web com base em dois fatores principais:
- Fator 1 – Contagem de links independentes: número de links que apontam para a página, mas que não são controlados pelo site avaliado.
- Fator 2 – Consultas de busca de marcas e consultas navegacionais: são termos de pesquisa que funcionam como referência para uma página específica. Na patente, esses termos são chamados de “links implícitos”.
Ambos os fatores são usados para modificar a posição das páginas dentro dos resultados de busca.
Por Que a Patente Foi Mal Interpretada
Em 2012, a maioria dos profissionais de marketing de busca, incluindo alguns que hoje são especialistas, não compreendia bem a leitura de patentes, focando mais em artigos acadêmicos. A chegada da patente um ano após a atualização Panda gerou confusão, porque Panda referia-se a um algoritmo que avaliava a qualidade de conteúdo, criado para combater “content farms”.
Apesar de Navneet Panda ser coautor da patente, o “Ranking Search Results” não aborda qualidade de conteúdo, apenas o ordenamento dos resultados. Assim, associar essa patente à atualização Panda foi um equívoco.
Distinção Entre a Patente e a Atualização Panda
A atualização Panda foi uma resposta ao problema criado pela atualização Caffeine, que trouxe frescor para o índice do Google, mas permitiu que sites de baixa qualidade ranqueassem alto. Panda usava raters humanos para classificar sites, criando um algoritmo classificador para separar conteúdo autoritário de conteúdo de baixa qualidade.
Já a patente em questão não contém um classificador de qualidade nem avalia o conteúdo diretamente: seu foco é o uso de links e consultas de marca para reorganizar os resultados.
Links Expressos e Links Implícitos
O sistema descrito na patente trabalha com dois tipos de “links” para modificar o ranking:
- Links expressos: são os links tradicionais, clicáveis, existentes nas páginas que apontam para outros sites.
- Links implícitos: são referências dentro das consultas de busca — termos que remetem diretamente a um site, como nomes de marcas ou URLs, usados para calcular a relevância da página.
Esses links implícitos, chamados na patente de “consultas de referência”, funcionam como votos de usuários que indicam de forma indireta, por meio das buscas, a relevância da página para determinados termos.
Conceito de Recursos e Grupos
- “Recurso” é uma página ou site na web.
- “Recurso alvo” é o site ou página que está sendo referenciado.
- “Grupo” se refere ao conjunto de páginas relevantes para uma busca específica.
A patente esclarece que as consultas que contêm termos ligados a recursos específicos são consideradas como referências — os links implícitos — mesmo que o usuário não navegue diretamente através dessas referências.
Muitas dúvidas existem sobre se a patente fala de menções de marca em páginas — e a resposta é não.
Mentions de marca em websites são diferentes dos links implícitos descritos aqui, que são baseados em como os usuários digitam termos nas buscas. Portanto, a patente não endossa a ideia de que simples menções em textos funcionem como links para rankeamento.
Como o Fator de Modificação Funciona
A patente explica que um “fator de modificação” é gerado para alterar a ordem das páginas relevantes segundo:
- A contagem de links independentes (links de terceiros, fora do controle do site).
- A contagem de consultas de referência (buscas contendo termos de marca ou navegacionais).
Esse fator serve para potencializar páginas que tenham mais reconhecimento por meio de links legítimos e pela popularidade nas buscas de marca.
Importância desse Fator para o SEO
Usar consultas de marca como sinal para rankeamento é inteligente porque reflete a intenção real dos usuários e a percepção de relevância que eles atribuem a um site. É um indicador difícil de manipular, o que o torna um sinal potencialmente confiável e limpo para a classificação.
Apesar de não sabermos se o Google aplica exatamente essa abordagem, a lógica por trás da patente permanece relevante até hoje.
Dicas para Interpretar Patentes do Google
Patentes utilizam uma linguagem técnica que pode ser enganosa se tirada de contexto. Um erro comum é interpretar frases isoladas como se refletem a totalidade da tecnologia usada pelo Google, o que pode gerar muita confusão e informações falsas.
Para entender melhor as patentes, recomendo sempre ler os textos completos e dentro do contexto, evitando tirar conclusões precipitadas.
Para acessar a patente: Ranking Search Results