Como o Google Lida com URLs Inexistentes e o Impacto no Orçamento de Rastreamento

Um cenário desafiador para quem trabalha com SEO é quando o Googlebot faz milhões de requisições para páginas que não existem em um site, gerando um efeito próximo a um ataque DDoS. Recentemente, o especialista do Google, John Mueller, respondeu a uma dúvida sobre uma situação assim, em que uma única URL inexistente recebia mais de dois milhões de acessos de rastreamento, prejudicando a performance e a visibilidade do site nos resultados de busca.

Esse tipo de problema pode causar uma redução no orçamento de rastreamento destinado ao site, isto é, o tempo e recursos que o Google dedica para analisar as páginas disponíveis. Com URLs não encontradas consumindo esse orçamento, as páginas importantes podem acabar sendo menos visitadas pela ferramenta, refletindo em uma queda perceptível no ranking de busca.

Compreender como o Google interpreta os códigos de resposta HTTP e como controlar o acesso do robô é fundamental para aumentar a eficiência do rastreamento e proteger o posicionamento orgânico do site.

Resposta 410 vs. 404: Entendendo a Diferença e a Melhor Abordagem para URLs Removidas

Quando uma página não está disponível, o servidor pode retornar diferentes tipos de códigos HTTP que indicam essa ausência ao Googlebot e aos navegadores.

O código 404 informa que a página não foi encontrada, porém não indica se essa situação é permanente ou temporária, apenas avisa que no momento o endereço não existe. Por outro lado, o código 410 (Gone) é uma resposta mais definitiva, sinalizando que a página foi deliberadamente removida e que provavelmente nunca voltará a existir.

Utilizar o 410 pode ajudar o Google a entender que aquela URL deve ser desconsiderada para o índice e que os links apontando para ela podem ser removidos de forma segura. Porém, mesmo após meses de uso do código 410, o Googlebot pode continuar a visitar essas URLs para confirmar a ausência, seguindo seu padrão de comportamento para evitar erros de remoção acidental.

O Dilema do Rastreamento Excessivo: Como URLs Expostas por Erro Causam Problemas

Uma situação comum acontece quando URLs não intencionais são expostas em payloads JSON ou em parâmetros de consulta, como por exemplo, URLs com query strings que vazam em dados estruturados ou scripts do site. Isso pode fazer com que o Googlebot encontre e comece a rastrear uma enorme quantidade de URLs inválidas ou irrelevantes.

Em um caso recente, uma empresa percebeu que aproximadamente 11 milhões de URLs não deveriam ter sido indexáveis, levando-os a bloquear completamente essas URLs e servir o código 410 para elas.

Apesar das medidas, o Googlebot continuou com um volume altíssimo de requisições para essas páginas inexistentes, chegando a mais de cinco milhões de acessos em um período de 30 dias, concentrados em uma URL específica com parâmetro “?feature”.

Esse comportamento persistente do Googlebot levantou dúvidas sobre possíveis impactos negativos no orçamento de rastreamento e no desempenho do site nos resultados de busca.

John Mueller Explica a Persistência do Googlebot e Sugere Alternativas

John Mueller esclareceu que essa recorrência na verificação de URLs removidas é comportamento padrão do Google. O crawler revisita constantemente páginas que já existiram para verificar se elas foram restauradas, pois entende que boas práticas dos editores podem incluir exclusão temporária ou acidental de conteúdo.

Para o caso em questão, ele afirmou que não há problema em ter muitas páginas removidas, mesmo em grande escala, e que isso não deveria ser visto necessariamente como uma penalidade ou problema.

Porém, para evitar o incômodo e o alto volume de acessos aos URLs indesejados, Mueller indicou que utilizar o arquivo robots.txt para bloquear o rastreamento dessas URLs é uma abordagem válida. Por exemplo:

Disallow: /software/virtual-dj/?feature=*

Esse comando instrui o Googlebot a não rastrear essas URLs específicas, reduzindo o tráfego indesejado nos logs do servidor e evitando efeitos colaterais da sobrecarga.

Atenção ao Bloqueio via Robots.txt: Possíveis Impactos Negativos nas Páginas

Apesar de útil, bloquear URLs diretamente no robots.txt pode gerar problemas técnicos graves, especialmente se essas URLs estiverem presentes em códigos JavaScript que geram conteúdo importante nas páginas. Isso porque, ao bloquear o acesso aos recursos pelo bot, o Google pode não conseguir renderizar corretamente o site.

John Mueller recomenda que antes de aplicar bloqueios, o webmaster deve:

Essa análise cuidadosa ajuda a garantir que a solução não afete o desempenho e a visibilidade geral do site na busca.

Compreendendo a Real Causa por Trás da Queda de Visibilidade

Mueller enfatiza a importância de investigar além do óbvio para entender as quedas no ranking. Muitas vezes a perda de tráfego não decorre apenas da existência de URLs removidas ou do rastreamento excessivo, mas de erros técnicos, alterações involuntárias no site ou outros fatores não percebidos inicialmente.

Esse tipo de diagnóstico mais profundo ajuda a identificar e corrigir o real problema, evitando que medidas superficiais causem mais prejuízos ou não resolvam realmente o inconveniente.

A recomendação é ter um processo contínuo de monitoramento e diagnóstico das métricas de SEO, mantendo atenção a erros, páginas removidas, e o comportamento do Googlebot para ajustar as estratégias conforme a necessidade.

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